Amigos/Amigas/Papo

Boa tarde, moçada! =D Bom, continuo com zero livros para postar, também porque ainda estou lendo o Coração de Tinta. Mas, hoje, como todo mundo sabe, foram as voltas as aulas! Eu admito, não estava muito empolgada, mas assim que vi minhas duas melhores amigas caminhando alegremente no pátio e dei um abraço de urso nelas, tudo ficou bem! Também porque segunda-feira tem Língua Portuguesa e Matemática 🙂 Eu gosto de Português!

Enfim, eu fiz dupla com uma amiga e nosso objetivo era: criar uma crônica inspirada na crônica AMIGOS, de LUIS FERNANDO VERÍSSIMO. Tendo a professora gostado muito da nossa crônica, resolvi postar a crônica de Luis Fernando Veríssimo e, logo após, a nossa, para ver se vocês gostam também =D Cá está:

Amigos (Luis Fernando Veríssimo)

Os dois eram grandes amigos. Amigos de infância. Amigos de adolescência. Amigos de primeiras aventuras. Amigos de se verem todos os dias. Até mais ou menos os vinte e cinco anos. Aí, por uma destas coisas da vida- e como a vida tem coisas!-, passaram muitos anos sem se ver. Até que um dia.

Um dia se cruzaram na rua. Um ia numa direção, o outro na outra. Os dois se olharam, caminharam mais alguns passos e se viraram ao mesmo tempo, como se fosse coreografado. Tinham-se reconhecidos.

-Eu não acredito!

-Não pode ser!

Caíram um nos braços do outro. Foi um abraço demorado e emocionado.

Deram-se tantos tapas nas costas quantos tinham sido os anos de separação.

-Deixa eu te ver!

-Estamos aí.

-Mas você está careca!

-Pois é.

-E aquele bom cabelo?

-Se foi…

-Aquela cabeleira.

-Muito Gumex…

-Fazia um sucesso.

-Pois é.

-Puxa. Deixa eu ver atrás.

Ele se virou para mostrar a careca atrás. O outro exclamou:

-Completamente careca!

-E você?

-Espera aí. O cabelo está todo aqui. Um pouco grisalho, mas firme.

-E essa barriga?

-O que é que eu vou fazer?

-Boa vida…

-Mais ou menos…

-Uma senhora barriga…

-Nem tanto.

-Aposto que futebol, com essa barriga.

-Nunca mais.

-E você era bom, hein? Um boião.

-O que é isso!

-Agora tá com a bola na barriga.

-Você também.

-Barriga, eu?

-Quase do tamanho da minha.

-O que é isso?

-Respeitável.

-Quem te dera um corpo como o meu.

-Mas eu estou com todo o cabelo.

-Estou vendo umas entradas aí.

-O seu só teve saída.

Ele se dobra de rir da própria piada. O outro muda de assunto.

-Faz o quê? Vinte anos?

-Vinte e cinco. No mínimo.

-Você mudou um bocado.

-Você também.

-Você acha?

-Careca…

-De novo a careca? Mas é fixação.

-Desculpe, eu…

-Esquece a minha careca.

-Não sabia que você tinha complexo.

-Não tenho complexo. Mas não precisa ficar falando só na careca, só na careca. Eu estou falando nessa barriga indecente? Nessas rugas?

-Que rugas?

-Ora, que rugas.

-Não. Que rugas?

-Meu Deus, sua cara está que é um cotovelo.

-Espera um pouquinho…

-E essa barriga? Você não se cuida, não?

-Me cuido mais que você.

-Eu faço ginástica, meu caro. Corro todos os dias. Tenho uma saúde de cavalo.

-É. Só falta a crina.

-Pelo menos não tenho barriga de baiana.

-E isso o que é?

-Não me cutuca.

-Me diz. O que é? Enchimento?

-Não me cutuca!

-E esses óculos são pra quê? Vista cansada? Eu não uso óculos.

-É por isso que está vendo barriga onde não tem.

-Claro, claro. Vai ver você tem cabelo e eu é que não estou enxergando.

-Cabelo outra vez! Mas isso já é obsessão. Eu, se fosse você, procurava um médico.

-Vá você, que está precisando. Se bem que velhice não tem cura.

-Quem é que é velho?

-Ora, faça-me o favor.

-Velho é você.

-Você.

-Você.

-Você!

-Ruína humana.

-Ruína, não.

-Ruína!

-Múmia!

-Ah, é? Ah, é?

-Cacareco! Ou será cacareca?

-Saia da minha frente!

Separaram-se, furiosos. Inimigos para o resto da vida.

 

Agora, a minha e a da Luisa (minha amiga :)):

                                      Amigas (Bianca M. e Luisa P.)


            Eram melhores amigas. Quase irmãs. Dividiram o mesmo diário por quatro anos, e quem dissesse que elas não eram as melhores amigas estaria realmente mentindo. Infelizmente, elas acabaram se separando e só vieram de se encontrar hoje, no shopping. Se esbarraram e logo se reconheceram.

-Ai. meu. Deus!!

-É você mesmo?

-Sou. Quanto tempo!

-E aí, está bem?

-Claro! Casou?

-Lógico, né, amiga? E você? Já casou?

-Já! Tenho dois filhos!

-Eu não. Odeio crianças. Elas são irritantes e te deixam gorda e com o cabelo grisalho. Eu não daria meu cabelo por nada!- e mexeu levemente no cabelo.

-Pelo menos não sou esquelética.

De repente, os maridos das duas chegaram e um deles falou:

-Amor, vi você conversando com essa senhora e…

-Senhora?! Você me acha uma senhora?! Sua mulher tem quanto? 60 anos? Porque parece!

-Quê??? Você acha que pode dar uma de jovem?

-Mais jovem que você! Você tem pneuzinho! Eu não!

-Pelo menos, eu não tenho dente de roedor!

-Retire o que você disse, mocinha!… Ops! Ah, desculpe, vovozinha!

-Ah, mulher!

E começou a puxação de cabelos. Sapatos pra lá e pra cá, no meio do shopping, ao vivo e em cores. Uma luta livre! Os maridos tentaram separá-las, mas em briga de mulher não se mete a colher!

E elas nunca mais se viram na vida.

 

E aí? Gostaram? Esse é o Luis Fernando Veríssimo:

De graça, outra crônica legal que achei dele, chamada Papos:

– Me disseram…
– Disseram-me.
– Hein?
– O correto e “disseram-me”. Não “me disseram”.
– Eu falo como quero. E te digo mais… Ou é “digo-te”? – O quê?
– Digo-te que você…
– O “te” e o “você” não combinam.
– Lhe digo?
– Também não. O que você ia me dizer?
– Que você está sendo grosseiro, pedante e chato. E que eu vou te partir a
cara. Lhe partir a cara. Partir a sua cara. Como é que se diz?
– Partir-te a cara.
– Pois é. Parti-la hei de, se você não parar de me corrigir. Ou corrigir-me.
– É para o seu bem.
– Dispenso as suas correções. Vê se esquece-me. Falo como bem entender.
Mais uma correção e eu…
– O quê?
– O mato.
– Que mato?
– Mato-o. Mato-lhe. Mato você. Matar-lhe-ei-te. Ouviu bem?
– Pois esqueça-o e pára-te. Pronome no lugar certo e elitismo!
– Se você prefere falar errado…
– Falo como todo mundo fala. O importante é me entenderem. Ou
entenderem-me?
– No caso… não sei.
– Ah, não sabe? Não o sabes? Sabes-lo não?
– Esquece.
– Não. Como “esquece”? Você prefere falar errado? E o certo é “esquece” ou
“esqueça”? Ilumine-me. Me diga. Ensines-lo-me, vamos.
– Depende.
– Depende. Perfeito. Não o sabes. Ensinar-me-lo-ias se o soubesses, mas não
sabes-o.
– Está bem, está bem. Desculpe. Fale como quiser.
– Agradeço-lhe a permissão para falar errado que mas dás. Mas não posso
mais dizer-lo-te o que dizer-te-ia.
– Por que?
– Porque, com todo este papo, esqueci-lo.

 

Hahahah! 🙂

Ele é muito bom! E aí, gostaram? Acharam algo errado? Se vocês fossem dar nota ao autor (e a mim e a Luisa!) que nota vocês dariam? Beijos! :*

 

Anúncios